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15/8/2006
Época de olhos sem lágrimas em Brasília

A doença tem sintomas parecidos com os de uma conjuntivite e é comum nos meses de seca, por causa da baixa umidade. Se não tratada corretamente, a irritação pode levar a infecções mais graves e à cegueira.

Coceira, ardência e sensação de ter um cisco no olho. Nesta época do ano, os consultórios de oftalmologia ficam lotados de pacientes com as mesmas reclamações. Entre julho e setembro, a umidade que chega a ficar abaixo de 15% castiga os brasilienses e é uma das principais responsáveis pelo chamado olho seco. A doença, caracterizada pela rápida evaporação das lágrimas, é muitas vezes ignorada pelos pacientes, que a confundem com conjuntivite ou simples irritação. Se não for tratada, no entanto, a falta de proteção nos olhos pode deixar o caminho aberto para infecções mais graves que podem até levar à cegueira.

"Brasília tem características que tornam o ambiente mais propício ao ressecamento dos olhos do que a poluição de uma cidade como São Paulo", alerta o chefe da Oftalmologia do Hospital Universitário de Brasília (HUB), Flávio Aranha. Segundo ele, que também é professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB), além do clima seco, a cidade é muito aberta, o que proporciona ventos excessivos e a grande incidência do sol.

O servidor público Paulo Coelho, 26 anos, sabe que deve se preparar para o pior quando chega o inverno. É comum ele ter problemas nos olhos por causa do tempo frio e seco. "Sinto muita ardência e irritação. Parece que entra areia dentro do olho." A rotina de passar várias horas por dia em frente à tela do computador, em uma sala com ar-condicionado, agrava o problema. "Tem horas em que eu preciso parar um pouco e fechar os olhos para continuar a trabalhar", conta.

Flávio Aranha explica que algumas condições de trabalho podem piorar ainda mais os efeitos da baixa umidade do ar. "Quando a pessoa passa horas em frente ao computador, fica muito tempo sem piscar e isso ajuda a ressecar o olho", afirma. Segundo o oftalmologista, soluções simples como parar por cinco minutos a cada uma hora para descansar a vista ou afastar a tela do computador amenizam o problema.

Pessoas que trabalham em salas fechadas com ar-condicionado ou usam lentes de contato precisam ter cuidado maior nesta época do ano. "As lentes gelatinosas precisam estar sempre reidratadas para não absorver as lágrimas que protegem a córnea", alerta. Nesses casos, a dica para evitar o olho seco é lembrar de piscar mais vezes durante o dia.

Colírios especiais

Os especialistas alertam para a persistência dos sintomas. Se a coceira e a ardência continuarem por vários dias, o ideal é procurar um hospital. "Fazemos testes para ver a origem da irritação e para avaliar a produção das lágrimas", explica o oftalmologista Jairo Landazuri. Se for constatado o olho seco por razões climáticas, os médicos indicam colírios, conhecidos como lágrimas artificiais, para a lubrificação da córnea. "É preciso ter uma indicação médica para não comprar qualquer tipo de medicamento. Muitos colírios vendidos nas farmácias não hidratam e podem ser prejudiciais nesses casos", adverte Flávio Aranha.

De acordo com o chefe da Oftalmologia do HUB, os colírios conhecidos como vasoconstritores (que contraem os vasos sangüíneos dos olhos) dão a sensação de alívio por alguns instantes, mas a longo prazo pioram a situação por diminuir a circulação sangüínea na região. Os colírios à base de corticóides também não são indicados porque aumentam a pressão ocular.

Síndrome

Há três anos, a secretária Hull de La Fuente, 63 anos, começou a sentir uma grande ardência nos olhos. O incômodo e a vermelhidão foram confundidos, no início, com conjuntivite. "Comecei a usar um colírio comum para aliviar a irritação. Pingava uma gota sempre que o olho ficava vermelho", lembra Hull. A automedicação aparentemente funcionava. Em fevereiro deste ano, no entanto, ela perdeu, por instantes, parte da visão. "Foi um susto. Estava trabalhando e passei a ver só vultos. Me levaram na hora para o médico", conta.

O diagnóstico foi o de síndrome do olho seco, doença até então desconhecida pela secretária e que não é a doença do olho seco, comum nos meses de seca. "As pessoas confundem a síndrome, caracterizada pela dificuldade na produção de lágrimas, com o sintoma do olho seco, provocado pelo clima", explica o oftalmologista do HUB. Segundo ele, a síndrome geralmente está associada ao uso indevido de medicamentos ou a doenças como o lupus, a síndrome de Sjörgren e a artrite reumatóide. Nesses casos, a glândula lacrimal sofre inflamações e diminui consideravelmente a produção de lágrimas.

Hoje, Hull tem de usar dois tipos de colírio para ajudar na lubrificação dos olhos. E, antes de dormir, passa um gel para proteger a córnea. "Não enxergo direito com meu olho direito e quase perdi toda a visão por falta de informação", afirma. "Agora, digo para todos que procurem um médico nos primeiros sinais de inflamação."

Sintomas

Sensação de queimação e ardência

Coceira ou sensação de corpo estranho e areia nos olhos

Ressecamento

Vermelhidão

Sensibilidade à luz brilhante (fotofobia)

Como tratar

Mantenha os olhos limpos e hidratados com colírios conhecidos como lágrimas artificiais. Eles podem ser usados até cinco vezes ao dia, respeitando o intervalo de, no mínimo, uma hora

Piscar mais vezes, principalmente em lugares com ar-condicionado

Afastar a tela do computador e dar cinco minutos de descanso aos olhos a cada uma hora de uso do equipamento

Fonte: Correio Braziliense por Isabel Fleck




           


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