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6/1/2006
Uma luz na escuridão

Aliando educação e tecnologia, a Laramara, uma instituição de apoio a deficientes visuais, consegue capacitar centenas de pessoas para o mercado de trabalho, preparando-as para viver e conviver em um mundo onde quase nada foi pensado para elas

Autonomia, independência e inclusão são as palavras de ordem no quartel-general de uma organização não-governamental que tem sede no bairro de Campos Elíseos, na região central da capital paulista. Mas a Laramara nada tem de subversiva, embora procure passar esses valores para os milhares de deficientes visuais que foram acolhidos pela entidade desde sua fundação, em 1991. A dose de subversão existente por lá é a procura constante da inovação no tratamento das pessoas afetadas pela cegueira ou pela baixa visão, principalmente ao evitar atitudes paternalistas: desde que entram na Laramara, ainda bebês, são orientados a estudar ou a trabalhar no mesmo ambiente que as pessoas dotadas de visão normal. Existem outras instituições de qualidade que atendem deficientes visuais, como a Fundação Dorina Nowill e o Instituto Padre Chico, ambos em São Paulo, mas a Laramara se destaca por oferecer serviços para todas as faixas etárias, por manter diversos núcleos que atendem à instituição e geram receita, tais como uma editora e um estúdio de gravações, e, acima de tudo, por produzir e comercializar equipamento para pessoas cegas ou com baixa visão.
Nos últimos anos, o empresário Victor Siaulys, que fundou a instituição junto com a esposa, dedicou boa parte de sua energia ao projeto de fabricar no Brasil máquinas de escrever em braille, um instrumento decisivo na inclusão social dos deficientes visuais. É por meio dela que um estudante consegue acompanhar as aulas e escrever em braille suas anotações. Em 1997, Siaulys enviou um grupo de dez pessoas à Escola Perkins para Cegos, em Boston, nos Estados Unidos, com o intuito prepará-las para montar o equipamento aqui. Nos Estados Unidos, era possível comprar uma máquina por 660 dólares (aproximadamente 1,5 mil reais), mas no Brasil ela não saía por menos de 3,5 mil reais. Após o treinamento, o grupo retornou e, em janeiro de 1998, começaram a ser vendidas as máquinas fabricadas aqui, com componentes importados, ao preço de 2,2 mil reais. Desde então, já foram vendidas cerca de 3,5 mil unidades, segundo conta o engenheiro metalúrgico Júlio Pires, coordenador da Laratec – unidade da Laramara que vende equipamentos e softwares destinados a ajudar os deficientes visuais em suas atividades cotidianas, educacionais ou profissionais. “A cooperação com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) foi fundamental para a montagem das máquinas e atualmente eles fornecem todo o ferramental que garante a fabricação local”, explica Pires. O objetivo da Laramara é conseguir vender as máquinas por 1,5 mil reais a partir de janeiro. Além de nacionalizar a produção, a Laratec aperfeiçoou o projeto cedido pela Escola Perkins. “Conseguimos reduzir o peso de 4,5 quilos para 3,8 quilos, principalmente por usar plástico em lugar de metal na fabricação do gabinete externo.” A Laratec terá condições de fabricar até 50 máquinas por mês, com uma equipe de dez pessoas, informa o coordenador da produção, Cristiano Gomes, que fez parte do grupo que esteve em Boston em 1997.
A máquina de escrever em braille é fundamental para os deficientes visuais que estudam, pois já não existem classes especiais e eles estão integrados em classes comuns. Em tese, cada escola deveria ter um centro de apoio aos alunos cegos ou com visão subnormal equipado com máquinas de escrever em braille e outros recursos, mas a realidade é bem diferente. O único equipamento fornecido é uma reglete plástica que serve como guia para que o deficiente visual grave numa folha de papel, com auxílio de uma punção, as letras em braille. “As escolas deveriam fornecer uma máquina de escrever para os alunos deficientes visuais usarem nas salas de aula, porque permitem escrever 20 vezes mais rápido do que com uma reglete. Mas a lei de inclusão dos deficientes não é praticada, pois faltam equipamentos e professores especializados”, conta a pedagoga Mara Campos Siaulys, esposa de Vitor e também fundadora da instituição.

Patrocínio

Ainda que a Laramara tenha conseguido reduzir o preço das máquinas de escrever em braille, o instrumento continua é inacessível financeiramente para grande parte das entidades que atendem deficientes visuais. Para contornar o problema, a Laramara procura empresas que patrocinem a doação dos equipamentos. A Petrobras, por exemplo, doou 150 máquinas e já autorizou outras 170, que serão fornecidas a partir de janeiro, informa Pires. O patrocínio de empresas permitiu a distribuição de um total de 600 máquinas de escrever em braille. Cabe à Laramara selecionar as entidades que receberão as doações. “Damos prioridade às regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste e fazemos uma pesquisa para avaliar as necessidades e a qualidade dos serviços prestados”, conta Pires. A carência é enorme. No Maranhão, por exemplo, existe apenas uma máquina de escrever em braille.
Para entender a dedicação dos fundadores e da equipe da Laramara, é preciso saber um pouco da história dessa instituição. A Laramara – Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual, surgiu da iniciativa do casal Siaulys, pais de Lara, uma menina que nasceu cega, em 1978. A mãe deixou de trabalhar como professora de Geografia e se dedicou inteiramente a cuidar da filha temporã. Buscou o conhecimento disponível no Brasil e no exterior sobre como tratar crianças com deficiência visual. Voltou a estudar e fez Pedagogia na Universidade de São Paulo, com especialização em atendimento de deficientes visuais. Com a filha encaminhada – Lara cursou faculdade de Música na Universidade de Campinas e agora está no segundo ano de Letras na Pontifícia Universidade Católica de Campinas –, foi trabalhar como voluntária na Santa Casa de Misericórdia paulistana. Foi então que percebeu a precariedade dos serviços de atendimento às pessoas cegas e com visão subnormal. Diante dessa carência, ela decidiu fundar a Laramara (da fusão do prenome da filha com o da mãe) com total apoio do marido, o empresário Victor Siaulys, um dos sócios do Aché Laboratórios Farmacêuticos, atualmente a maior empresa do ramo na América do Sul. A família Siaulys colocou boa parte de seu patrimônio na Laramara e agora a meta é fazer que a instituição caminhe com as próprias pernas e consiga autofinanciar suas atividades, explica Mara, que é sua diretora-presidente. O casal Siaulys divide funções na condução da Laramara. A esposa é o dínamo interno, voltada para a missão de educar e incluir socialmente os deficientes visuais. “Meu marido é o agitador externo, que divulga a Laramara, colhe doações e também monta a estrutura que permitirá um funcionamento autônomo.” Foram criadas unidades de negócios (leia quadro na pág. 58) capazes de gerar faturamento para a entidade, e uma delas é a Laratec, que cuida da fabricação das máquinas de escrever em braille.
A importância dos equipamentos especiais para a inclusão educacional ou profissional dos deficientes visuais fica evidente na Laramara. Paulo Henrique Graça, de 25 anos, trabalha há sete anos na instituição e atualmente cuida da área de suporte e assistência técnica aos softwares de apoio aos deficientes visuais vendidos pela Laratec. Seu primeiro contato com a instituição aconteceu quando ele tinha 15 anos e havia perdido completamente a visão por causa de uma retinose pigmentar. Ele fez o treinamento para mobilidade na instituição, participou da turma piloto do curso de informática profissionalizante e foi contratado pela Laramara em 1998 para ser instrutor de informática. Atualmente, faz atendimento pelo telefone ou pelo serviço de mensagens instantâneas da Microsoft. Utiliza um microcomputador no qual está instalado o software Jaws, que transforma os textos da tela em áudio. Também usa uma leitora de braille, conectada ao computador. Quem está do outro lado da linha telefônica não percebe que está lidando com um deficiente visual, mas Graça trata de fazer o alerta. Ele é formado em Ciência da Computação em uma escola onde faltavam recursos para deficientes visuais. Em compensação, contou com o apoio especial de uma professora que transcrevia os textos para braille. A Laratec traduz para o português softwares especializados desenvolvidos pela empresa Freedom, dos Estados Unidos, entre eles o Magic, que amplia em até 16 vezes a tela de um computador. É com o apoio desse programa que Antonieti Jorge pode ler as faturas na área comercial da Laramara.

Autonomia

Entre os 200 funcionários da Laramara, 25 têm algum tipo de deficiência visual. Rosimeire dos Santos, de 24 anos, tem 10% de visão em apenas um dos olhos e trabalha há quatro anos como professora de Informática no Programa de Complementação Educacional de Jovens e Adultos (Proceja), mantido pela instituição. Ela mesma foi aluna do Proceja, que atende, no momento, 175 estudantes. O principal curso ministrado pelo programa é o Camt (cidadania, autonomia e mundo do trabalho). Além da formação em informática e inglês, o aluno aprende comunicação e expressão, autonomia e apresentação pessoal, ética e cidadania, além de participar de oficinas de música, teatro e artes plásticas. O curso é dividido em dois módulos de quatro meses, com 4 horas de aula, cinco dias por semana. Para cursar o Camt, o deficiente visual tem de saber ler e escrever em braille, conta Erica Cristina Takahashi, de 28 anos, assistente da coordenadora do Proceja. “O objetivo é trabalhar o desenvolvimento integral, com a preocupação de dar formação profissional, resgatar a auto-estima e a autonomia, pois muitos deficientes visuais chegam aqui sem nenhuma perspectiva”, explica Takahashi. Desde que foi criado, em 1996, o Proceja já recebeu 571 alunos, dos 17 aos 63 anos.
A Laramara atende deficientes visuais desde a tenra idade, pois, quanto mais cedo chegam os cuidados especiais, mais fácil é o desenvolvimento. Para auxiliar no ensino das atividades da vida diária, foi construído um modelo de casa onde as crianças aprendem a se vestir, fazer a higiene pessoal, arrumar as roupas e outras lições para a vida cotidiana, como explica Fábio Shiguehara, de 28 anos, que responde pela área de comunicação da Laramara, onde trabalha há dois anos. As crianças também dispõem de uma brinquedoteca especializada, com muitos brinquedos que foram criados pela própria equipe da Laramara. A maioria dos 150 voluntários que trabalham na Laramara se dedica às atividades infantis. Brincar é importante para que a criança com deficiência visual desenvolva noções espaciais, consciência corporal, convívio social e aprenda a trabalhar as emoções.
Para orientar as famílias e educadores de crianças com deficiência visual, a pedagoga Siaulys acaba de lançar o livro Brincar É para Todos, que ensina a confeccionar e a utilizar 109 brinquedos, além de mostrar seus efeitos sobre o aprendizado. “É fundamental a interação e a participação da criança com deficiência visual na vida familiar, na escola e na comunidade. As brincadeiras propostas no livro estimulam os sentidos de tato, audição, olfato e paladar, e ajudam a explorar formas, texturas e grandezas dos objetos”, esclarece a autora e presidente da Laramara. O menino Leonardo Moura da Silva, de 5 anos, comprova as vantagens da terapia com brinquedos. Cego de nascença e portador de deficiências motoras, ele freqüenta a Laramara há três anos. “Estamos muito esperançosos, pois ele usa a piscina, brinca e está começando a andar e a falar”, conta seu avô, Pedro Soares Barros, que se reveza com a mãe para levar a criança duas vezes por semana à Laramara.

Dimensão

A vida apresenta imensos obstáculos para os que nascem sem visão, mas os especialistas reconhecem que é ainda mais difícil integrar alguém que adquire a cegueira já adulto. Porém, no Laramara existe um bom exemplo de que mesmo restrições dessa dimensão podem ser superadas. Alexandre José Correia de Lima, de 32 anos, é o coordenador do Centro de Recursos da Laramara, onde ingressou em 1996, como aluno do Proceja. Até os 24 anos tinha 40% de visão, mas a retinose pigmentar foi piorando e hoje tem apenas 2%, o que lhe permite enxergar alguém que está perto, mas ele não percebe sequer quando a pessoa levanta a mão. A partir dos 25 anos começou a usar mais os meios audíveis e teve contato com alguns dos equipamentos e softwares que hoje estão à disposição no Centro de Recursos, tanto para quem participa das atividades da Laramara como para alunos deficientes visuais da Faculdade Oswaldo Cruz, vizinha à entidade. “A maior barreira que o deficiente visual tem de vencer é interna, que é a vergonha da doença adquirida depois de adulto. Tem cego que não usa a bengala na própria rua”, conta Lima. Não é o seu caso. Ele está estudando Pedagogia e dá aulas em Peruíbe, no litoral paulista, para onde viaja de ônibus sozinho. Casado, pai de uma filha, Lima mora no Jabaquara, na zona sul da cidade, e usa o metrô para ir trabalhar, conta, enquanto atende Everton dos Santos, que quer uma senha para usar o microcomputador com o software Magic, de ampliação da tela. O Centro de Recursos tem vários outros equipamentos, como uma câmera que amplia imagens e as projeta numa tela de televisão.
O conceito da Laramara foi definido nos detalhes, com base nos conhecimentos de sua fundadora e da equipe multidisciplinar que a criou. Cada sala tem uma placa com identificação em braille colocada no batente. Uma voz digitalizada informa aos usuários dos elevadores o que existe em cada andar. “Nosso primeiro trabalho foi educar para a empregabilidade, voltada para jovens de mais de 16 anos. Não fazemos terapia, mas educamos. Aos poucos fomos evoluindo, passando a atender crianças com deficiência visual e suas famílias”, recorda a presidente da instituição. Em 15 anos de atividade, a Laramara atendeu 7.253 famílias, contabiliza Vera Aparecida Salgueiro Pereira, formada em Serviços Sociais, que cuida da área de atendimento e está na Laramara desde a fundação. Uma equipe técnica de 32 profissionais cuida, no momento, de 450 crianças e suas famílias. “Os pais chegam aqui desesperados, querem saber a causa da deficiência visual, se é hereditária. Depois vem a fase da aceitação e do envolvimento da família com a educação da criança.” Deficientes visuais e seus familiares assistem às palestras dos especialistas da Laramara, como a de João Felippe, professor de mobilidade e orientação, que explica, entre outras coisas, que a bengala não deve ser escondida, mas assumida. E, mais do que isso, os familiares aprendem que não devem ter dó dos deficientes visuais, mas sim respeitá-los.

Avaliação

Praticamente todo atendimento da Laramara é gratuito. Somente quem tem condições financeiras paga as mensalidades, e esse grupo não passa de 10%. Mesmo assim, Pereira faz questão de lembrar que não prestam assistencialismo – eles educam. Quando chega, a criança é avaliada por uma assistente social para mapear a situação familiar. Em seguida, ela é examinada por um oftalmologista e passa por um especialista em ortóptica que indica os equipamentos que deve usar. Grupos de até seis famílias, apoiados por psicólogas e assistentes sociais, são formados para avaliar todo o trabalho realizado, definir metas e criticar os resultados. Quanto mais cedo a deficiência visual da criança for detectada, melhores os resultados. “A maioria dos hospitais não faz exames para diagnosticar problemas de visão dos recém-nascidos e orientar os familiares. Muitas vezes a mãe acha bonitos os olhos azuis do bebê e não sabe que ele tem catarata”, adverte Pereira.
Outra frente de atuação da Laramara é a propagação do conhecimento, especialmente para profissionais e educadores que atendem deficientes visuais, diz Pereira. Nessa linha, a Laramara ministrou um curso de capacitação no trato de deficientes visuais para 120 professoras de escolas públicas da capital paulista, conta a presidente da instituição. “Além disso, distribuímos 5 mil conjuntos, com fita de vídeo, CD e orientação sobre mobilidade, para unidades escolares escolhidas pelo Ministério da Educação e Cultura, pois é preciso atrair mais crianças com deficiência visual, já que só 3% das existentes vão às aulas, o restante permanece escondido em casa.”

Atendimento

Além de contar com o faturamento das unidades de negócios, que em 2004 garantiram 66,1% da receita de 12,7 milhões de reais, a Laramara montou um serviço de telemarketing com 35 operadores – seis dos quais têm algum tipo de deficiência visual –, com a tarefa de arrecadar doações de pessoas e empresas. “Estamos expandindo nosso serviço, que contará com 50 posições em 2006, e pretendemos empregar um número maior de operadores com deficiência visual. Até lá o software de atendimento e de banco de dados já contará com a tecnologia que permite transformar em áudio os textos e os números das telas”, explica Daniele Rueda, coordenadora do serviço de telemarketing, que trabalha na Laramara desde agosto. Carlos Renato da Silva Reis, de 28 anos, cego de nascença, é operador de telemarketing há três anos e fez o curso do Proceja. “Na Laramara, recebemos o mesmo tratamento que teríamos em empresas comuns, sem paternalismo”, diz Reis, que também é um violonista de mão-cheia e de noite toca profissionalmente em bares da Vila Madalena, bairro da zona oeste da capital paulista. No ano passado, as doações ou contribuições renderam 4,4 milhões de reais para a Laramara, metade individuais e metade de empresas ou fundações. A família Siaulys garante as maiores contribuições, bem como os investimentos que permitirão a futura autonomia financeira da empresa. Apesar das conquistas e do pioneirismo da Laramara, sua fundadora reconhece que atender cerca de 800 deficientes visuais e familiares mensalmente representa “apenas uma gota num mar de dificuldades, pois existem 1,5 milhão de pessoas cegas e com baixa visão em todo o Brasil, a maioria à margem de cuidados especiais”. Ela tem razão, mas talvez a definição mais apropriada não seja essa, e sim a de uma pequena semente em meio a uma imensa floresta. Sem dúvida, o trabalho da Laramara produz frutos que permanecem dentro de cada uma das pessoas atendidas e que se espalham à medida que elas vão conquistando seus direitos no mundo que aprenderam a enfrentar.

A família Siaulys investiu muito dinheiro para equipar as unidades de negócios da Laramara, com o objetivo de garantir que a entidade funcione apenas com as receitas geradas por suas atividades. A Gráfica e Editora Laramara é o carro-chefe, que proporciona o maior faturamento, mas também consumiu o maior investimento. Fundada há cinco anos, é um dos maiores fornecedores de bulas de remédio impressas em braile, além de imprimir rótulos e folhetos promocionais. Funciona num prédio perto da sede da Laramara, com 1.750 m2 de área construída. Outra unidade é a Sambureau&Publicidade, um birô de editoração que produz todo o material de divulgação usado pela Laramara e também presta serviços para clientes externos.
Há também um estúdio e uma produtora que prestam serviços de gravação de áudio, mixagem e masterização. Ambos são coordenados por Nino Nascimento, de 29 anos, que trabalha na Laramara desde 1998. Nascimento tem uma trajetória interessante dentro da instituição. Ele foi o primeiro deficiente visual – tem 5% de visão – a trabalhar como mensageiro do Laramara. Depois fez a formação profissional lá dentro mesmo e foi promovido a auxiliar no estúdio, que hoje coordena. Lá são gravados livros falados, mas também são realizados serviços normais de um estúdio. A banda Capital Inicial, por exemplo, ensaiou seus últimos discos no estúdio da Laramara. “Eles fazem toda a pré-produção conosco, testam o repertório, fazem os arranjos e depois gravam no estúdio escolhido pela gravadora”, conta Nascimento.
A Laramara também dispõe de um auditório equipado com todos os recursos, que é alugado para eventos. Neste mês, começará a funcionar, junto à sede, o Café Teen, um bem equipado bar, que servirá de ponto de encontro, inicialmente para a comunidade ligada à Laramara.
A Laratec é a unidade responsável pela fabricação das máquinas de escrever em braille e pela montagem de bengalas para deficientes visuais, com componentes fornecidos por terceiros. São capazes de montar 100 bengalas por mês, que são vendidas por 43 a 50 reais, dependendo do modelo, enquanto a importada custa de 100 a 150 reais, explica Júlio Pires, coordenador da Laratec, que fatura cerca de 1 milhão de reais por ano. “Operamos com uma margem mínima, para vender os produtos a preços acessíveis”, lembra. A loja da Laratec, na sede da Laramara, oferece produtos de uso cotidiano que facilitam a vida dos deficientes visuais, desde relógios até medidores de pressão arterial ou termômetros que “falam” os resultados graças a uma voz sintetizada digitalmente. Uma parceria com o Senai de Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, permitiu colocar na loja jogos, como o da velha, para serem utilizados por pessoas cegas ou com baixa visão. “Procuramos parcerias com fornecedores do Brasil e do exterior para comprar quantidades maiores dos produtos e vendê-los por um preço que o deficiente visual não encontra no comércio tradicional. Um acordo com o Instituto do Cego da China permite vender telescópios que aumentam a imagem oito vezes por 184 reais, quando custam 1,5 mil reais nas lojas tradicionais”, conta Pires. Nessa caso, porém, vendem apenas um equipamento para cada pessoa, desde que apresente uma receita médica, para evitar que os produtos sejam novamente comercializados. Atualmente, a jóia da coroa da Laratec é a máquina de escrever em braille, com componentes produzidos no Brasil, que começará a ser comercializada em janeiro. A meta, diz Pires, é vender a máquina por 1,5 mil reais, com uma redução de 30% sobre o preço dos equipamentos montados com material importado.

VEJA GALERIA DE FOTOS:

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Funcionários deficientes visuais formados

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Leonardo Moura da Silva, com seu avô, Pedro Soares Barros: vantagens da terapia com brinquedos


Hariel tem baixa visão e é uma das 450 crianças que são educadas na Laramara


A Laratec traduz para o português sof twares

Fonte: Ottoni Fernandes Jr - Revista Desafios do Desenvolvimento



           


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