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30/11/2006
Crianças também sofrem com catarata

A catarata é uma daquelas doenças que são comumente associadas ao envelhecimento. No entanto, existem crianças que já nascem com o problema. Geralmente, elas o contraem por meio de alguma infecção da mãe - proveniente de problemas como rubéola (a mais comum), toxoplasmose, infecções intra-uterinas, citomegalovírus e sífilis.

No mundo, a catarata congênita tem uma incidência de um caso para cada 250 recém-nascidos. No Brasil, ela é uma das causas mais freqüentes de cegueira na infância. "A doença requer tratamento cirúrgico imediato e por isso merece atenção dos profissionais de saúde envolvidos no nascimento do bebê", diz o oftalmologista Virgilio Centurio, do Instituto de Moléstias Oculares (IMO), em São Paulo.

A detecção da catarata congênita pode ser feita pelo teste do olhinho, conduzido por enfermeiras de maternidades de São Paulo e Rio de Janeiro. Munidas de colírio dilatador de pupila e lanterna, elas verificam se o segmento posterior da retina está alaranjado (ou seja, com sua cor normal).

Segundo a oftalmologista Regina Cele, chefe do setor de Glaucoma Congênito da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a luminosidade esbranquiçada pode ser indício de três problemas: catarata, retinoblastoma ou glaucoma.

Como qualquer outro tipo de catarata, a congênita tem como principal sintoma a perda progressiva da acuidade visual, podendo levar o pequeno à cegueira total. "O problema é que, quando a criança é muito pequena, ela não reclama do olho embaçado. Ela não percebe que um olho está ruim porque o outro está bom. E quando os pais a levam para o primeiro exame, já é tarde para recuperar a visão", diz Regina.

Outra conseqüência grave da doença na criança é a ambliopia, a falta de estimulação ocular do olho atingido. Ela não leva à cegueira, mas prejudica o processo de percepção da luz. Se o problema não é tratado até a criança completar sete anos idade, a visão poderá não voltar ao normal.

No entanto, a catarata congênita pode ser evitada com um bom pré-natal. "Praticamente todas as doenças oculares podem começar quando a criança está na barriga da mãe", diz a oftalmologista. A gravidade do problema poderá ser determinada pelo grau da infecção que a mãe teve. Por isso, um histórico da doença materna durante é gravidez é necessário para o diagnóstico completo e correto da catarata.

O tratamento de cataratas parciais geralmente é feito com colírios e óculos que melhoram a acuidade visual. Nos casos de catarata total, é indicada cirurgia. Ela deve ser feita, no máximo, antes de 12 semanas de vida da criança. "Com isso se evita a ambliopia irreversível", diz o oftalmologista Juan Caballero, do IMO.

FOTO AJUDA DETECTAR RETINOBLASTOMA

Quando as pessoas observam a foto de uma criança e percebem a presença de um reflexo branco no olho, dificilmente imaginam que ela tenha algum problema. Normalmente, a culpa é atribuída à câmera. Mas a fotografia revela que ela pode ter retinoblastoma, um raro tumor ocular maligno que afeta crianças com menos de quatro anos de idade. Segundo a Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer (Tucca), 400 novos casos da doença são registrados por ano no Brasil.

Originário das células da retina, o retinoblastoma é causado por mutação genética. O problema costuma dar seus primeiros sinais entre o nascimento e os 23 meses de vida da criança.

A detecção da doença é simples: basta uma máquina fotográfica com flash ou uma lâmpada caseira mostrando o reflexo branco nos olhos da criança. "O normal é aparecer um reflexo vermelho", explica o médico oftalmologista Renato Neves, diretor da rede Eye Care Oftalmologia, em São Paulo.

A facilidade na detecção faz com que 90% dos casos da doença sejam percebidos pelos próprios pais, como conta o oncologista pediátrico Sidnei Epelman, do Hospital Israelita Albert Einstein e do Hospital Santa Marcelina, ambos na capital paulista. O tal reflexo branco é também chamado de "olho de gato" e seu termo médico é leucocoria.

Outros problemas relacionados ao retinoblastoma incluem estrabismo, dificuldade visual, aparência anormal do olho, glaucoma e inflamações. Posteriormente, a criança terá de fazer outros exames. O diagnóstico e o tratamento dependem do exame de fundo de olho e de imagem (tomografia computadorizada, ressonância magnética e ultra-sonografia).

Detectado precocemente, o retinoblastoma tem tratamento e o pequeno terá a visão poupada. Mas, em alguns casos, quimioterapia e radioterapia não bastam, e ele poderá perder um olho - ou ambos. "A criança passa a usar uma prótese estética", diz a oftalmologista Regina Cele, chefe do setor de Glaucoma Congênito da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). (L.F./AE)



           


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